resenhas category image [Resenha] – Silo, Hugh Howey 23/11/14

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Um cenário pós-apocalíptico, um ambiente hostil e a vida acontecendo por 144 andares dentro de um silo subterrâneo e autossuficiente, essa é a premissa do eletrizante livro de estreia de Hugh Honey. Na trama, gases tóxicos destruíram a humanidade e agora as gerações sobreviventes dividiram em setores e andares o cotidiano de uma sociedade marcada por leis rígidas e segredos. Questionar a existência ou o surgimento do silo pode ser fatal, mas o que acontece quando nem mesmo os moradores dos mais altos cargos políticos entendem o silêncio sobre o passado não explicado? Quem detém o poder no silo?

Motivado por uma existência vazia depois da perda da esposa, o xerife Hoston, viúvo há 3 anos, decidiu assim como a ex-companheira sair. Em outras palavras, ser condenado a tirar a sujeira do vidros que permitem a vista do mundo exterior para os habitantes do silo, e morrer segundos depois na atmosfera venenosa. Porque todos os sentenciados cumpriram a pena da limpeza mesmo com ameaças de não o fazê-lo é algo intrigante, difícil de ser explicado. Mas a decisão do xerife gerou uma vaga disponível, e a entrada de Julitte – uma mulher das profundezas da mecânica – ao cargo, selará para sempre o futuro do local.

Dividido em cinco partes, silo alterna uma narrativa em terceira pessoa através de perspectivas variadas, e nos envolve numa áurea claustrofóbica. “Hoston” e “A medida certa”, os duas primeiras parcelas iniciais da história, descrevem e propiciam uma visão panorâmica do local: taxas de natalidade controladas através de um sistema de loterias, fazendas que levam como ingrediente principal de adubo covas cavadas bem abaixo delas, ou ainda o custo do uso de emails pela quantidade de palavras utilizadas, representam partes do dia-a-dia no silo. E ademais a outras informações, agem de maneira fundamental para o entendimento do organismo vivo que é o recinto.

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A partir de “O começo”´, parte três do livro, o ritmo é acelerado. Adentramos no cotidiano de Juliette e no quebra-cabeça que ela tenta aos poucos desvendar. O que teria causado o surto de Allison – mulher de Holston – três anos atrás, exigindo a saída no silo mesmo tendo ganhado na loteria a possibilidade de ter filhos (um presente precioso a qualquer casal)? Qual motivo deu vazão a levantes ocorridos no passado? Quanto mais Julitte se aproxima de respostas, mais perigosos seus dias se tornam, mas ela não está disposta a parar.

Com todo terreno de ansiedade e expectativa preparado, as duas partes finais do livro atingem seu ápice narrativo. Em “A descoberta” e “Os abandonados” temos um enredo que corre em velocidade vertiginosa e arrebata o leitor. A alternância de perspectivas é estrategicamente calibrada e obriga a pausas no âmago dos acontecimentos, enquanto o clima de dúvidas e incertezas traz consigo uma tensão proeminente. O desfecho, propicia de maneira adequada tanto a continuação da história, quanto a volta do enredo ao “como tudo começou”, que é o alvo do próximo livro lançado pelo autor “Shift”.

Curiosamente, achei que Silo não atingiu todo potencial que poderia. Embora tenha adorado a premissa do livro, bem como o desenvolvimento, senti falta de um quê a mais, tal como uma centelha contida que faltou incendiar. Talvez essa sensação seja satisfeita nas continuações subsequentes. Vale salientar, porém, que essa impressão particular não tira de maneira alguma o brilhantismo e engenhosidade do universo criado pelo Hugh Honey. Não é nem um pouco a toa que os direitos do livro foram comprados pela 20th Century Fox e seu roteiro está em desenvolvimento.

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Título Original: Wool
Autor(a): Hugh Howey
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 512
Avaliação: ★★★★☆
Cedido em parceria com a editora Intrínseca

Curtiram o novo formato de resenhas? Estava um pouco enjoada e resolvi acrescentar fotos. :]

5 comentários
Postado em 23/11/14 por brendalorrainy



brendalorrainy
19 anos. Criadora do CDI é estudante de administração com inclinação para o setor editorial. Tem uma queda por felinos, por quadrinhos e pela combinação tinta e papel. Adora criar metas o tempo inteiro e estranhamente odeia dormir. Também detesta café, tem tendência ao caos e morre de medo de altura. É viciada em Friends e em qualquer coisa que a faça rir.
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5 comentários »
23/11/2014 às 23:08
Visitante assíduo e já deixou 30 comentários.

Amei o novo formato e a resenha ótima como sempre .. ;) kk

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24/11/2014 às 10:14
Visitante assíduo e já deixou 29 comentários.

É a primeira pessoa que vi que não morreu de amores pelo livro! Mas não teve como não gostar muito, né? haha
Gostei bastante do novo formato das resenhas, pois amo quando tem fotos!
Ótima resenha! Bjs, Brenda <3

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28/11/2014 às 07:14
Você já comentou 3 vezes.

Oi, Brenda!

Eu ando muito curiosa pra ler esse livro. Um amigo meu elogiou muito e eu fiquei com muita vontade de ler. Sua resenha me deixou com ainda mais vontade. Acho que vou comprar em e-book, pq o livro é um pouco grandinho, então é ruim carregar na bolsa.

Beijos

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30/11/2014 às 10:19
Você já comentou 2 vezes.

Silo é o tipo de livro que se fosse escrito por um autor independente não teria visibilidade! Foi o que pensei enquanto lia a resenha! Eu, honestamente não curto esse tipo de trama, sou mais de romance, quando não quero pensar em nada, ou livros com uma pegada na psicanalise e existencialismo quando quero pensar e me aprofundar em qualquer coisa… Esse tipo de trama com suspense e coisas do gênero não me pega… mas confesso que no meio do caminho me perguntei se o Hugh vai fazer qualquer analogia ao Mito da Caverna de Platão, porque o Silo tem qualquer coisa de caverna e a Juliette tem qualquer coisa de pessoa que pressente que há algo como o sol fora daquela caverna… Enfim, de toda forma vou acompanhar a evolução da história via resenha dos leitores \o/

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10/01/2015 às 09:23
Você já comentou 6 vezes.

Sinceramente tenho a maior curiosidade por esse livro e pretendo lê-lo, apesar de agora saber que falta algo no livro, não é “Aquele” livro. Gosto de história desse tipo e sei que vou gostar.

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