resenhas category image [Resenha] A cor do leite, Nell Leyshon 10/09/14

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Nome: A Cor do leite
Autor(a): Nell Leyshon
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 208
Ano: 2014
Avaliação: ★★★★★ + plus
Cedido em parceria com o Grupo editorial Record

Em 1831, uma menina de 15 anos decide escrever a própria história. Mary tem a língua afiada, cabelos da cor do leite, tão brancos quanto sua pele, e leva uma vida dura, trabalhando com suas três irmãs na fazenda da família. seu pai é um homem severo, que se importa apenas com o lucro das plantações. Contudo, quando é enviada, contra a sua vontade, ao presbitério para cuidar da esposa do pastor, Mary comprovará que a vida podia ainda ser pior. Sem o direito de tomar as decisões sobre sua vida, Mary tem urgência em narrar a verdade sobre sua história, mas o tempo é escasso e tudo que lhe importa é que o leitor saiba os motivos de suas atitudes.

No ano de 1831, numa pitoresca cidadezinha do interior da Inglaterra, mary tem urgência em escrever e explicar os últimos eventos do ano que se passou. Sua narrativa é íntima e sua aflição evidente. Irmã caçula de uma família de mais três irmãs, ela vive numa fazenda com também os pais e o avô. O trabalho no local é duro, não há pausas nem perdão para os preguiçosos. Aliada aos cabelos cor de leite, a deficiência em uma de suas pernas faz de mary ainda mais incomum, além de contribuir para rotina diária beirar a exaustão.

Quando o presbitério da região precisa de alguém para tomar conta da sua esposa debilitada, o pai não hesita em envia-la a troco de dinheiro certo no mês. E é assim que a vida de mary que já não era das melhores entra em maior declive. Com a realidade alterada do dia pra noite, ela não lamenta tanto a falta dos pais, ou mesmo das irmãs, mas ressente pela companhia do avô (quem pode garantir que não vão esquecer de alimentá-lo?), e também pela vida no local único local do mundo que já conheceu.

A cor do leite parece ser um livro simples, mas a verdade é que ele é impactante e triste. Seu desenvolvimento corre sereno dado o jeito prático e ingênuo de uma protagonista que há muito pouco aprendeu a ler e escrever. Entretanto, em contrapartida, a narrativa revela horrores e abusos devastadores. O relato poderoso, se torna ainda mais intenso sob a perspectiva de alguém como mary. Dona de um jeito impetuoso, ela não hesita em dizer a primeira coisa que lhe vem a cabeça, do mesmo modo, dificilmente deixa se abater.

“não tem nada que me aborrece. se eu não posso fazer nada pra mudar uma coisa então eu não deixo ela me chatear. seu eu posso mudar uma coisa então eu faço e aí não preciso me chatear com nada também.” Pag. 135

A estrutura do livro não é organizada por letras maiúsculas, ou diálogos que levam travessões, e nem poderia, dada a recém-alfabetização de mary. Isso contribui também para a verossimilhança da história, que se torna abrasiva.

Nell Levshon transita entre as imposições de uma sociedade machista e estratificada, e a maneira crua dos relacionamentos da época. Na figura do pai de mary temos um homem agressivo, intimidador e cruel, bem diferente do avô de mary, um idoso divertido e, assim como ela, otimista por antecipação. Na figura da mãe, temos uma mulher dura, mas primordialmente passiva. A família do presbítero é um evento a parte, que apenas com o desenvolvimento da história começa a revelar suas camadas.

A cor do leite deixou um gosto amargo em seu fim, não consegui aceitar o final, ou me desfazer dos sentimentos que me atordoaram durante a história. O livro é um perfeito retrato das falhas humanas e do abuso de poder. Ele nos força a uma reflexão descompassada em seu desfecho, quando àquela que teve de abdicar toda sua vida em função de outros, finalmente será forçada pelas circunstâncias a fazer algo por si mesma.

DESIGN: ★★★★★
IMPACTO: ★★★★★
NARRATIVA: ★★★★★

16 comentários
Postado em 10/09/14 por brendalorrainy



brendalorrainy
19 anos. Criadora do CDI é estudante de administração com inclinação para o setor editorial. Tem uma queda por felinos, por quadrinhos e pela combinação tinta e papel. Adora criar metas o tempo inteiro e estranhamente odeia dormir. Também detesta café, tem tendência ao caos e morre de medo de altura. É viciada em Friends e em qualquer coisa que a faça rir.
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16 comentários »
10/09/2014 às 11:36
Visitante assíduo e já deixou 14 comentários.

Nossa, parece mesmo um livro arrebatador hein Brenda? Gosto desse tipo de leitura, que nos inquieta e perturba.Interessante ser sob o ponto de vista de uma garota de 15 anos, pois o livro parece trazer uma carga emocional intensa. Fiquei curiosa acerca dos acontecimentos em torno da garota. Resenha incrível :-)
Bjos

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10/09/2014 às 17:37
Visitante assíduo e já deixou 29 comentários.

Confesso que não tinha me interessado até ler sua resenha. Gostei muito que o livro é impactante e triste, amo leituras assim! Amei também a personalidade da protagonista, que sempre diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça.
Interessante a estrutura do livro não ter travessões e letras maiúsculas, assim fica mais realista pra história.
Ótima resenha! Abraços, Brenda!

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14/09/2014 às 20:23
Visitante assíduo e já deixou 117 comentários.

Oi Brenda :)
Nunca tinha escutado algo sobre o livro, e acho que não leria se eu o tivesse, rs’ talvez porque a história não me chame taaaanta atenção, ou só porque tenho muito livros para serem lidos ainda suahsuha
um beijo :*

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15/09/2014 às 11:08
Você já comentou 6 vezes.

Oi Brenda, é exatamente livros assim que eu procuro. Simples, mas profundos, que nos fazem refletir. Acho que não precisa ser um livro complexo de ler para ser profundo, você tem que saber retirar suas lições. Com certeza vou adicioná-lo a minha lista. ;)
Beijos!

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16/09/2014 às 08:53
Visitante assíduo e já deixou 110 comentários.

Brendinha, esse livro se tornou um dos meus preferidos. O tipo de leitura que quero compartilhar, uma protagonista que quero divulgar, que as pessoas precisam conhecer. O lado doloroso e cruel das relações, a imposição machista numa sociedade injusta com as mulheres.
Mary é inesquecível, forte, deliciosa de ser descoberta, encantadora.
Ao contrário de você, gostei mesmo do final. Acho que fechou direitinho toda a amargura da vida de Mary, que encontrou sua libertação na escrita, no pouco de liberdade que conseguiu na dura vida que levou. Adorei o clímax do livro, o leitor vai se surpreender.
É bem isso que você colocou tão bem: o livro é üm retrato das falhas humanas”. Muito forte!
Beijooooo!

Aqui está minha resenha deste livro, caso queira deixar sua opinião:
As Meninas que Leem Livros

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16/09/2014 às 22:52
Visitante assíduo e já deixou 20 comentários.

Não sei se ainda vou chegar a comprar o livro, a capa me chamou atenção mas a sinopse ainda não me convenceu plenamente

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21/09/2014 às 00:27
Você já comentou 9 vezes.

Capa linda demais!!
Apaixonei!
Gostei da sinopse e a resenha me fez ficar com mais vontade de ler!
Por ser um livro com uma temática tão forte nos deixa inquietos por dentro mesmo após o termino da leitura…

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29/09/2014 às 19:54
Visitante assíduo e já deixou 17 comentários.

Um livro com tão poucas páginas e contendo uma história tão verdadeira e forte, mostrando o quando se pode sofrer e causar sofrimento, passar um tempo lendo os relatos de Mary e o quanto ela supera não fazendo nada para melhorar, aceitando tudo como está, é triste e reflexivo, aquele tipo de livro que deixa sua história na nossa mente muito tempo depois de finalzado, precisava ler uma resenha desse livro e essa me satisfez muito.

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27/10/2014 às 20:55
Comentou pela primeira vez, boas vindas!

Não conhecia o livro até ler essa resenha. Agora estou curiosa, com certeza vou ler. Ótima resenha!

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28/10/2014 às 12:01
Visitante assíduo e já deixou 13 comentários.

Nossa o livro parece mesmo ser ótimo, trama super emocionante, fiquei bastante interessada em ler!

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31/10/2014 às 15:32
Comentou pela primeira vez, boas vindas!

Não sei se teria coragem de ler esse livro porque 1) a falta de letras maiúsculas e travessões me incomodaria demais, eu tenho certeza; e 2) meio que fujo de livros “pesados”. Não estou numa fase boa o suficiente para entrar de cabeça em um livro com carga emocional tão forte. :x

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02/11/2014 às 13:16
Comentou pela primeira vez, boas vindas!

Oii !

Tenho visto falar desse livro há muito tempo, contudo infelizmente ainda não li. Uma amiga minha leu e adorou. Gostei muito da resenha. Sem dúvida quero definitivamente ler.

Bjoos Miih

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08/11/2014 às 13:57
Comentou pela primeira vez, boas vindas!

Não conhecia esse livro, e por mais que ele pareça bem interessante, diferente, e triste, não chamou minha atenção a ponto de ficar tentado a comprá-lo. Mas, claro que se aparecer na minha estante, eu o leria, um dia.

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15/11/2014 às 21:11
Você já comentou 6 vezes.

Ai minha nossa.. Brendaaaaaaaaaaa.. meu coração já apertou ao ler sua resenha e imaginar as situaçõe spelo qual Mary passou…Fico imaginando a estrutura emocional que terei para acompanhar um relato tao intenso e vívido ,ma sque retrata situações que ocorreram e ocorrem em muitos lugares do mundo… Com certeza, quero ler esse livro e já me preparo psicologicament epra esse final que te deixou com um gosto amargo..
bjs e parabén pela resenha.

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20/11/2014 às 15:10
Você já comentou 3 vezes.

Quando comecei a ler, pensei que fosse algo aparecido com a Cinderela. Percebi que a história é muito boa, e me deixou curiosa. Quero saber o que aconteceu quando Mart saiu de casa.

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20/11/2014 às 15:10
Você já comentou 3 vezes.

Quando comecei a ler, pensei que fosse algo aparecido com a Cinderela. Percebi que a história é muito boa, e me deixou curiosa. Quero saber o que aconteceu quando Mary saiu de casa.

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