resenhas category image [Resenha ] – Convergente, Veronica Roth 16/07/14

CONVERGENTE_1394113467P
Nome: Convergente
Autor(a): Veronica Roth
Editora: Rocco
Número de páginas: 526
Ano: 2014
Avaliação geral: ★★½☆☆
Cedido em parceria com a Editora Rocco

A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. No poderoso desfecho da trilogia Divergente, de Veronica Roth, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor. Livro mais vendido pela Amazon no segmento infantojuvenil em 2013, Convergente chega ao Brasil em meio à expectativa pela estreia de Divergente nos cinemas, em abril. A série segue no topo na lista de bestsellers do The New York Times.

RESENHA LIVRE DE SPOILERS DE DIVERGENTE E INSURGENTE

Imagine descobrir que tudo que você sabe sobre si mesmo, sobre o universo em que vive não faz mais sentido algum? Foi segundo essa proposta audaciosa que Convergente se desenvolveu. O último livro da trilogia Divergente tem início após curiosos e alucinantes acontecimentos, e relata, porém, o declínio de uma série que teve um começo fenomenal, um livro do meio interessante e um desfecho claramente insatisfatório.

Convergente é narrado sob o ponto de vista alternado de Tris e Quatro e esse foi o primeiro ponto que incomodou no livro, porque os personagens não sofreram a diferenciação necessária para utilização do recurso. Era fácil se confundir entre os narradores já que tanto o modo de pensar quanto a forma de descrição parecia não sofrer alteração. O uníssono não planejado resultou na desconstrução do personagem Quatro, que teve a personalidade deslocada em relação àquela descrita pela Veronica nos livros anteriores.

O enredo também apresenta uma narrativa arrastada, com poucos – ou quase nenhum – acontecimento de grande importância até mais da metade da história. Dessa forma, Convergente seguiu morno e estritamente alavancado por restritas novidades inseridas aqui e ali, enquanto possibilidades de aprofundamento no conteúdo eram ignoradas e mal aproveitadas. Entretanto, diferentemente do livro anterior, o desenvolvimento do relacionamento de Tris e de Tobias conseguiu me fazer criar mais apego aos personagens, fato possivelmente ligado ao amadurecimento sofrido por eles com os frequentes conflitos ocorridos em Insurgente.

Mas, sem dúvida, minha decepção com Convergente ficou ainda mais evidente em relação ao desfecho proposto pela autora. Além dos momentos finais acontecerem de maneira acelerada, em total oposição a estrutura vagarosa em que o livro foi montado, Veronica foi infeliz na resolução em si do enredo, optando por uma saída puramente local para um problema abrangente. A coerência do desfecho esbarrou e ficou restrita a um limite físico, quando carecia de melhor aprofundamento global para uma conclusão verdadeiramente válida.

Vale ressaltar, porém, que um acontecimento particular conseguiu soar coeso com o restante da trilogia, mas a forma em si como ele ocorreu não contribuiu na minha predileção pelo livro. Achei até banal o modo de condução da Veronica – e suas justificativas para tal – quando justamente essa dinâmica em especial do clímax poderia apaziguar tantos outros fatores desfavoráveis. Embora a decepção seja inevitável numa distopia cuja leitura extasiante do primeiro volume me fez criar altas expectativas, não posso afirmar que me arrependo de ter conhecido a trilogia. Evidentemente a ideia da autora não foi explorada da melhor forma possível, mas espero que as adaptações cinematográficas subsequentes consigam fornecer um consolo aos fãs que, assim como eu, ficaram desiludidos.

DESIGN: ★★★★★
IMPACTO: ★★★☆☆
NARRATIVA: ★★½☆☆

1 comentário
Postado em 16/07/14 por brendalorrainy



brendalorrainy
19 anos. Criadora do CDI é estudante de administração com inclinação para o setor editorial. Tem uma queda por felinos, por quadrinhos e pela combinação tinta e papel. Adora criar metas o tempo inteiro e estranhamente odeia dormir. Também detesta café, tem tendência ao caos e morre de medo de altura. É viciada em Friends e em qualquer coisa que a faça rir.
Deixe aqui seu comentário!

CommentLuv badge


1 comentário »
19/07/2014 às 00:24
Visitante assíduo e já deixou 45 comentários.

Verdadeiramente nossas opiniões se convergem e divergem em relação a trilogia. Eu amei tanto o primeiro livro quanto o segundo livro, mas a decepção chegou, infelizmente, no terceiro livro da série. É certo que algumas coisas que a autora quis explicar ficaram meio que faltosos em alguns pontos do livro, nos fazendo pensar “e…?”, tantas coisas aconteceram nos volumes 1 e 2 pra acabar de uma forma tão simples e sem emoção. Torci pelo casal, me apaixonei por eles (é inevitável, sempre), mesmo que eles por meio da narração sejam tão parecidos (blah!), ponto a menos pra Verônica. O final foi frustante e ao mesmo tempo necessário, mas poxa, que acontecesse de uma forma que nos fizesse menos decepcionados. Enfim, não me arrependo de ter lido, e, como você, espero que as adaptações sejam uma forma de amenizar tudo isso. Beijos, Brendinha.

[Responder]