resenhas category image [Resenha] – A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak 03/05/14

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Nome: A Menina que Roubava Livros
Autor(a): Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 480
Ano: 2007
Avaliação: ★★★★☆

A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro.

O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto – e raro – de crítica e público.

Histórias e Estórias relacionadas ao nazismo ou que se passam na época da Segunda Guerra Mundial naturalmente me são atraentes. E foi com um misto de expectativa e receio que comecei a ler A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak. Expectativa porque ambos, tema e abordagem, saltam aos olhos; receio porque quando se tem um fascínio por determinado tema, sempre há o temor de que a magia se perca em algum ponto ou palavra colocada no lugar errado.

Com A Menina que Roubava Livros, não posso dizer que me decepcionei, o que é uma coisa boa. Com um pouco de estranheza no princípio, demorei alguma páginas para acertar o ritmo e a métrica da narração, que pode se mostrar simultaneamente envolvente e um pouco cansativa, depende do seu humor e disposição para ler.

O desenrolar da história de Liesel Meminger, a menina que roubava livros, contada pela própria Morte contempla um período difícil para todos os personagens e é interessante ver como cada um lida com as situações e novos cenários que vão surgindo. Novos personagens trazem nova carga emocional e novos elementos nos momentos certos, antes que tudo fique parado demais, constante demais. Zusak nesse livro parece gostar de inconstância. Arrisco dizer inclusive que é justamente sobre isso que a Morte vem nos falar.

A Morte é, de longe, meu personagem favorito. Carismática e deliciosamente… Bem, é a Morte. Em segundo lugar vêm empatados o pai adotivo – e logo, papai – Hans Hubermann e “A Mulher de Punhos de Ferro” (não tem como não amar essa mulher). No entanto, Liesel, a protagonista, foi incapaz de despertar qualquer simpatia em mim e, sinceramente, não sei o que isso significa.

De modo geral A Menina que Roubava Livros não é um livro que eu escolheria por iniciativa própria e acho que mesmo agora ainda não sei muito bem como me sinto em relação a ele. Foi uma leitura que eu gostei? Foi. Foi interessante? Foi. Mas ainda assim não posso destacar essa leitura como um marco muito relevante ou mesmo uma cicatriz profunda em mim. Foi só uma leitura agradável.

Em tempo, deixo os parabéns para os diagramadores e pela equipe que cuidou da estética da edição. Ficou excepcional.

DESIGN: ★★★★★
IMPACTO: ★★★☆☆
NARRATIVA: ★★★★½

5 comentários
Postado em 03/05/14 por Laura Abdon



Laura Abdon
21 anos, designer de moda e futura administradora. Leitora de gosto extravagante e crítica além da conta. Tenta não ser muito ácida, nem sempre consegue. Quinzenalmente na coluna Inspiração Literária, acha bem bizarro escrever sobre si na terceira pessoa.
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5 comentários »
03/05/2014 às 17:18
Visitante assíduo e já deixou 23 comentários.

Não é que eu tenda a selecionar livro com a temática da guerra, alguns me atraem, outros nem tanto.
‘A Menina Que Roubava Livros’ não despertou meu interesse logo de cara… isso veio ao longos das resenhas positivas que li blogosfera afora. Há pouco tempo o recebi de troca, decidi pelo livro depois de uma resenha maravilhosa e acho uma pena você não ter gostado tanto assim!
Espero ter melhores impressões do livro. ;)

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03/05/2014 às 18:53
Visitante assíduo e já deixou 39 comentários.

Oi Laura,
Não preconceito com as temáticas, mas eu não consigo gostar desse livro, talvez seja pelo fato do humor e minha disposição quando o li (concordo quando você coloca dessa forma), quem sabe um dia eu consiga gostar um pouco dele né?
Beijocas ^^

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04/05/2014 às 10:52
Visitante assíduo e já deixou 110 comentários.

Eis um grande serviço prestado por um blog comprometido: a sinceridade na análise de uma leitura. Claro que é uma opinião pessoal e se cada colunista der a sua, teremos vários olhares. Algumas coisas que passam despercebidas por um são captadas por outro e assim fechamos um sentimento ou só mesmo uma ideia sobre a mesma leitura.
Eu amei o livro. E amei Liesel, vejam só. O filme captou a essência dessa história, tb gostei. Fica p o leitor a opção de ler e trazer sua versão.
Entendo o q a Laura quis dizer. É tão ruim qdo não nos conectamos com a protagonista! Ainda bem q Papai é esse encanto, quase unânime entre os leitores.
Pra mim, esse livro merece ser dado de presente.

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09/05/2014 às 18:14
Visitante assíduo e já deixou 29 comentários.

Me interessei bastante por esse livro. Só achei meio estranho ser narrado pela Morte, mas original!
Não sei se vou gostar muito por ter o tema de guerra nele, acho que não li nenhum sobre isso. Sei lá se vou gostar.
A capa é bem bonita. Amei a resenha!

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21/05/2014 às 18:57
Comentou pela primeira vez, boas vindas!

Eu sou completamente apaixonada por esse livro. É com certeza um dos meus favoritos. O livro é contado pela morte, o que em um primeiro olhar pode ser assustador, mas ao contrário disso a cada página virada você se depara com uma história doce, cativante, ainda que o pano de fundo seja a Alemanha nazista e a Segunda Guerra Mundial. Acredite, não tem como ler sem se encantar com a morte. O autor conseguiu retratá-la de tal forma, que passamos a enxergá-la de outra forma, afinal de contas ela não é a causa, mas sim a consequência, como ela mesma coloca. Durante essa leitura você vai rir, chorar muito, mas com toda certeza esse não é um livro pra terminar empoeirado numa prateleira. Ainda que nunca mais o toque, você nunca vai esquecê-lo.
Em tempo, eu também adorei a adaptação cinematográfica. Claro que o livro é melhor e mais completo, mas o filme ilustra e põe cor às palavras.

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