resenhas category image [Resenha] – O Silêncio das Montanhas, Khaled Hosseini 01/03/14

capa
Nome: O Silêncio das Montanhas
Autor(a): Khaled Hosseini
Editora: Globo livros
Número de páginas: 352
Ano: 2013
Avaliação: ★★★★☆
Cedido em parceria com a editora Globo livros

O Silêncio das Montanhas traz como protagonista os irmãos Pari e Abdullah, que moram em uma aldeia distante de Cabul, são órfãos de mãe e têm uma forte ligação desde pequenos. Assim como a fábula que abre o livro, as crianças são separadas, marcando o destino de vários personagens. Paralelamente à trama principal, Hosseini narra a história de diversas pessoas que, de alguma forma, se relacionam com os irmãos e sua família, sobre como cuidam uns dos outros e a forma como as escolhas que fazem ressoam através de gerações

Tendo duas das minhas leituras mais memoráveis como fruto da habilidosa escrita do Khaled Hosseini, O silêncio das montanhas já era um livro por antecedência desejado. O terceiro romance publicado pelo autor não é tão chocante e pesado quando os antecessores, assim como eles, porém, carrega indagações e reflexões poderosas, inclinando-se delicadamente entre o gracioso e o pungente.

Abdullah e Pari moram numa refugiada aldeia no Afeganistão, pequenos companheiros eles passam os dias preenchendo um no outro a falta deixada pela morte da mãe. A ligação dos irmãos é forte e foi bruscamente quebrada cedo demais. Quando Pari é adotada por uma família em Cabul o destino sela pra sempre um vazio mútuo que permeará a vida dos dois. E as lacunas dessa separação são as brechas utilizadas pelo autor para a narração de múltiplos enredos.

A história atravessa continentes e gerações ao longo de sessenta anos: Afeganistão, França, Estados Unidos e Grécia são os países abarcados. Como uma colcha de retalhos Khaled vai costurando sua trama, tecendo personagens vivos e apaixonantes. Sua descrição consegue ater os detalhes mais preciosos, os ínterins mais intrínsecos ao ser. Nesse percurso, porém, um elemento incomoda o leitor: a quebra constante do enredo.

Se por um lado as histórias paralelas atuaram como elemento enriquecedor, por outro lado, esse recurso acabou deixando a leitura cansativa, fatigada. Até o leitor encontrar o ritmo certo, o livro segue a certo ponto custoso. Outro fator que incomoda é a brevidade de alguns desses subenredos, porque eles eram primorosos sim, e muito bem alocados, mas deixaram a desejar quanto ao desenvolvimento geral da história. Como se faltasse uma nova inserção de tais personagens em mais algum momento da trama.

O Silêncio das Montanhas, porém, é daqueles raros livros cuja história mexe com o sentimental de maneira delicada. Ele fala sobre o poder do tempo, sobre possibilidades, sobre a dor de ser vítima das consequências, mas, principalmente, sobre como o conjunto de nossas escolhas é mais importante que qualquer outro elemento extrínseco a nós.

DESIGN: ★★★½☆
IMPACTO: ★★★★☆
NARRATIVA: ★★★★☆

1 comentário
Postado em 01/03/14 por brendalorrainy



brendalorrainy
19 anos. Criadora do CDI é estudante de administração com inclinação para o setor editorial. Tem uma queda por felinos, por quadrinhos e pela combinação tinta e papel. Adora criar metas o tempo inteiro e estranhamente odeia dormir. Também detesta café, tem tendência ao caos e morre de medo de altura. É viciada em Friends e em qualquer coisa que a faça rir.
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1 comentário »
01/03/2014 às 17:12
Visitante assíduo e já deixou 80 comentários.

Concordo com você.
O livro é bom, mas por se tratar do Khaled Hosseini esperava mais.
Gostei muito do começo do livro, a união do Abdullah e Pari é linda, mas o desenrolar da história não me encantou.

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